Com este ciclo de conferências intituladas por «Portugal é Competitivo!», o grupo Vida Económica visa destacar e trazer para a discussão pública alguns dos fatores de sucesso e as oportunidades atuais de um conjunto de setores da economia portuguesa que se têm caraterizado por conseguir registar, nos últimos anos, trajetórias de crescimento e de dinamismo, num contexto de conjuntura económica negativa.

O target principal a quem se destinam estas conferências são os operadores e agentes de cada um desses setores económicos (empresários, gestores, administradores, técnicos superiores de organismos públicos, etc.), procurando-se por isso em cada conferência abordar temas de interesse para as respetivas atividades e negócios, tais como os mercados, internacionalização, tendências de consumo, desafios e oportunidades, inovação, novas tecnologias, investimentos, incentivos, etc., procurando dar-se ênfase às questões da economia digital, das novas tecnologias e do financiamento em cada um dos setores abordados.

 

 

 

 

SINOPSES

Conferência # 1  
«Portugal, um país de sol, praias... mas não só» (setor: turismo)
Faro, Auditório da CCDR do Algarve, 19 de maio


Beneficiando de uma localização geográfica privilegiada, quer enquanto ponto de intersecção entre os continentes europeus, amaricano e africano, quer na latitude climática moderada, o turismo representa um dos setores de maior potencial e crescimento na economia portuguesa, com receitas anuais superiores a 10,5 mil milhões de euros (2015), com taxas de crescimento anuais superiores a 10%, e com um número anual de visitantes estrangeiros de mais de 16 milhões de pessoas, que representam mais de 46 milhões de dormidas. Como simultaneamente causa e efeito desta evolução positiva está a nomeação recorrente, por parte de publicações internacionais, de destinos portugueses como os melhores a nível mundial. Contudo, o sucesso do turismo português não se deve apenas ao sol. Aliás, o turismo cultural e empresarial têm vindo a ganhar uma importância crescente em relação ao turismo de veraneio. Nesta dinâmica de valorização e crescimento, as startups tecnológicas para o turismo têm tido um papel fundamental na crescente percepção internacional da qualidade dos destinos turísticos nacionais e no ritmo da inovação da oferta de produtos e serviços. Entre outras, nesta conferência procurar-se-á apresentar as principais tendências do turismo mundial e nacional e as ameaças existentes e discutir os principais caminhos para um maior crescimento do turismo em Portugal, dando enfoque à importância das novas tecnologias e da big data para o crescimento sustentado deste setor e apresentando alguns casos de sucesso de empresas portuguesas nesta área.



Conferência # 2 
«Fénix Renascida: os novos setores do têxtil e calçado» (setor: têxtil e calçado)
Guimarães, Auditório do Laboratório da Paisagem, 14 de julho


Depois de uma profunda crise nas últimas duas décadas, motivada pela forte concorrência de países de mão-de-obra barata, a indústria têxtil e do calçado nacional tem vindo a ressurgir nos últimos anos com um novo perfil: é uma indústria que aposta nos segmentos de mercado premium e em produtos de maior valor acrescentado (novos materiais, novos produtos, novos processos e aposta no design de moda e na valorização da marca). Os indicadores económicos parecem validar a nova estratégia, com um crescimento sustentado no volume de negócios e nas exportações da indústria têxtil e do vestuário que atingiram, em 2014, €6.654 e €4.620 milhões de euros, respetivamente, apresentando este último ano valores bastante próximos do pico do ano de 2004. Além disso, Portugal conta-se entre os principais fornecedores de têxteis e vestuário das maiores economias mundiais.
Relativamente ao segmento do calçado, os indicadores económicos são extremamente positivos. De acordo com dados divulgados pela Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS), em 2014, a indústria nacional do calçado, que se apresenta como a «indústria mais sexy da Europa», teve um valor bruto de produção de quase 1.900 mil milhões de euros, mais de 75 milhões de pares de sapatos, com uma taxa de exportação que terá atingido os 97,4%, esperando-se que em 2015, as exportações venham a atingir os dois mil milhões de euros. É um setor que cresceu 54% nos últimos cinco anos e que exporta para 152 países.
Hoje, entre as principais tendências do setor têxtil e do calçado nacional são a necessidade de uma maior integração de inovação e tecnologia no produto, uma maior criatividade do design e a aposta na globalização crescente das empresas portuguesas. O impacto destas tendências far-se-á sentir em todos os elos da cadeia de valor da indústria têxtil e do calçado, desde a produção da matéria-prima até ao retalho junto do consumidor final. E para isso, as novas tecnologias digitais terão um papel estruturante.

 

Conferência # 3
«Indústria Alimentar: entre a segurança e a soberania alimentar» (setor: indústria agroalimentar)
Leiria, Auditório da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Leiria, Outubro (dia a designar)


A indústria alimentar é o setor mais importante do setor industrial português (assim como da economia europeia), com um volume de negócios anual que ascende a quase 15 mil milhões de euros (2014), conseguido com o trabalho de mais de 10 mil empresas e de cerca de 104 mil empregos diretos que, na última década, têm conhecido uma tendência sustentada de crescimento, que se estima poder tornar esta indústria um exportador líquido da economia portuguesa até ao ano de 2020. É um setor que se carateriza por uma intensa competitividade, forte investimento em investigação e desenvolvimento e uma presença crescente em muitos mercados internacionais. A sua malha empresarial é bastante heterogénea, com empresas de transformação de todas as matérias-primas de base alimentar, onde predominam as empresas de pequena e média dimensão.
Os grandes desafios desta indústria passam pela intensificação da capacidade de inovação, pela internacionalização das empresas e produtos nacionais, pela oferta de produtos alimentares de acordo com princípios de uma alimentação saudável e equilibrada, redução das assimetrias entre fornecedores e distribuidores e a necessidade de uma política fiscal mais competitiva.
Nesta conferência procurar-se-ão focar os fatores da competitividade, da inovação e da necessidade de criação de novos modelos de negócio alavancados pelas tecnologias digitais que permitam ultrapassar os desequilíbrios da cadeia de abastecimento e um relacionamento mais direto com os clientes. Os oradores convidados serão Pedro Queiroz, diretor-feral da Federação das Indústrias Portuguesas Agrosalimentares (FIPA) e José Carlos Caldeira, responsável do INESC Porto, que é uma das entidades envolvidas no consórcio internacional de empresas do FoodManufuture Project. Para a mesa redonda estão convidadas três empresas portuguesas agroalimentares (Cerealis, Frulact e Frueat) que se têm destado pela sua forte internacionalização e capacidade inovativa.

 

Conferência # 4
«Nano, Spin-offs & Startups: O mundo da economia digital!» (setor: novas tecnologias)
Aveiro, 29 de setembro


A penetração das tecnologias digitais a todos os níveis e em todos os setores da economia é já uma realidade incontornável. A economia do futuro será uma economia digital e, já na atualidade, algumas das maiores multinacionais são empresas tecnológicas ou com uma forte componente de bens e serviços digitais.
A economia portuguesa tem conseguido acompanhar este movimento de reconversão económica, beneficiando da grande oferta de recursos humanos portugueses altamente qualificados, da proximidade com importantes mercados de consumo de bens e serviços digitais (sobretudo na Europa), do investimento das empresas privadas no desenvolvimento de produtos digitais, simultaneamente, em contexto académico e empresarial, do acesso mais facilitado a formas diversas de financiamento e das políticas públicas de fomento da inovação e da economia digital. A prova da existência de um ambiente e ecossistema tecnológico consolidado e altamente competitivo em Portugal é visível, por exemplo, no crescente recrutamento de especialistas portugueses por parte de empresas tecnológicas multinacionais, na aquisição de algumas empresas nacionais por parte de algumas dessas empresas (em 2014, a AnubisNetwork foi adquirida pela BitSlight; em 2015, a Google compra a Digisfera), no reconhecimento internacional das empresas tecnológicas portuguesas (iClio, Seedrs, Addvolt, Codacy ou WiseCrop são exemplos de empresas portuguesas distinguidas; e em 2016, as empresas wDMI, Findmore, 7 Graus, CMAS e Bold Internacional foram das que mais subiram no ranking da Technology Fast 500 EMEA relativo a 2015), muitas delas empresas com um posicionamento e mercado de clientes global, ou ainda, mais recentemente, na escolha da cidade de Lisboa para a realização do Web Summit, um dos mais importantes eventos de tecnologia mundial, para os próximos três anos (2016, 2017 e 2018).
Nesta conferência procurar-se-á fazer um ponto de situação das muitas condições que Portugal reúne para sustentar e aumentar a sua competitividade económica digital, focando algumas das questões essenciais relativamente a esta nova economia.

 

Conferência # 5
O Setor da Saúde: entre um direito e a oportunidade de competitividade (setor: saúde)
Lisboa, 24 de novembro

O setor da saúde, onde se incluem a prestação dos cuidados de saúde através de sistemas públicos e privados, a indústria farmacêutica e a biotecnologia, a Investigação, o turismo de saúde e a produção de equipamento hospitalar, constitui um dos setores económicos mais globalizado (toda a população, de todos os países do mundo, recorre a cuidados de saúde de forma permanente, ao longo de toda a vida) e competitivo do mundo, com bens e serviços de elevadíssimo valor acrescentado e gerador de emprego altamente qualificado. Em 2011, o setor da saúde português produziu bens e serviços no valor de 1.579 milhões de euros, esperando-se que, em 2017, esses valores atinjam entre 1.900 a 2.200 milhões de euros e, em 2020, os 2.300 milhões de euros, com valores de exportação a superarem os 1.300 milhões em 2017 e os 2.600 milhões, em 2020. O investimento público e privado em investigação, se bem que ainda insuficiente, tem crescido continuadamente na última década, tendo atingido em 2014 o valor global de €437 milhões (€325 milhões + €112 milhões público e privado, respetivamente).
Neste contexto, Portugal tem ocupado uma posição importante em termos de competitividade, dispondo de recursos humanos qualificados e com experiência internacional para os quais contribui um ensino de Medicina de excelência, bem como nas áreas de conhecimento afins (Ciências da Vida, Biotecnologia, Farmacêutica), com um Sistema Nacional de Saúde dos mais sustentáveis e de maior qualidade em termos mundiais, uma aposta continuada na investigação e desenvolvimento e com a emergência gradual de um cluster da saúde em Portugal (universidades, centros de investigação, empresas privadas, hospitais, seguradoras).
Todavia, o setor tem ainda pela frente muitos desafios para se poder manter competitivo em termos globais e poder crescer, como a necessidade de criação de mais empresas, a retenção de profissionais qualificados, a criação de modelos de negócio e de financiamento mais sustentáveis e a integração de novas áreas de atividade como o turismo de saúde, a medicina personalizada, o Ambient Assistid Living e, enfim, com tudo o que gira em torno das inovações que genericamente se designam como o e-Health (TeleHealth, Mobile Health, Telecirurgia, Comunicação e interação com as comunidades, entre outras), cuja promoção e alargamento são hoje considerados absolutamente prioritários.